Ler é algo maravilhoso, mas é difícil começar porque, diante de tantas opções, não sabemos qual escolher. Na maioria das vezes, nos deparamos com gostos diferentes do nosso e isso, de alguma forma, nos inibe de começar a ler.
Nas escolas nos indicam Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Mulato e alguns outros bons livro, mas que são chatos quando não pegamos o jeito de ler e abstrair o rebuscamento da época.
Por isso, decidimos criar este blog para indicar os livros que lemos, como os classificamos, fazer uma resenha, indicar sites para baixar livros, enfim, incentivar quem deseja iniciar uma boa leitura ou continuar nesse mundo de troca de informação tão brilhante.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A Cabana


Título: A Cabana
Autor: William P. Young
Editora: Sextante


Hoje o colega me passou um email com o link para o capítulo 01 de "A Cabana". Percebi que li o livro e não o comentei aqui.

A Cabana é um livro de ficção que nos traz um conceito muito importante sobre a Trindade (Deus, Jesus e Espírito Santo) e sobre a fé. Me pareceu um daqueles livros feitos para explicar sobre a fé para quem como eu não tem religião, mas acredita em Deus, em Jesus e em uma força positiva que age em nossas vidas.

O livro conta a história de um homem (Mackenzie) marcado por duas tragédias, uma na infância com seu pai e outra na vida adulta com sua filha. Diante do sofrimento vivido, Mackenzie se questiona sobre Deus e o motivo de tamanho sofrimento. Um dia Mackenzie recebe uma carta de Papai (Deus) o chamando para ir à cabana onde sua filha foi assassinada. Ignorando o fato de poder ser uma armação do assassino, ele aceita o convite e, escondido de sua esposa, vai até o local marcado. Lá encontra com Deus, Jesus e o Espírito Santo que aproveitam do sofrimento para trazê-lo de volta à fé e ao perdão.

A graça do livro é ver conceitos religiosos irem por água abaixo. Deus, Jesus e o Espírito Santo são seres únicos e bastante humanos, chegando a ser cômicos. O livro traz as perguntas mais comuns feitas por cada pessoa e nos deixa uma ótima lição de vida e fé: Deus, Jesus e o Espírito Santo são o mesmo ser. Jesus veio à Terra para trazer os homens para perto de Deus e pagou na cruz pela nossa liberdade. Ele é de todos o mais humano. Deus fez o homem à sua imagem e semelhança e todos somos filhos Dele, por isso Deus não pode negar, privilegiar ou castigar seus filhos. Ele só pode amá-los e tentar ajudá-los a encontrar o melhor caminho, para isso transforma tragédias em lições de vida. Por fim fica a maior mensagem: Para melhorar nossa própria vida, precisamos amar e perdoar nossos irmãos, seja qual for o motivo da nossa dor.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Autor de Anjos e Demônios prepara mais um livro


Texto retirado do Jornal A Tardem em 14/05/09

Dan Brown, autor de O Código da Vinci e Anjos e Demônios, anunciou que vai dar continuidade às histórias em que o simbologista Robert Langdon é o protagonista. Previsto para ser lançado no dia 15 de setembro nos Estados Unidos e Canadá, o novo romance se chamará O Símbolo Perdido. A tiragem inicial de cinco milhões de exemplares indica que o livro será o próximo candidato a best-seller.

No Brasil, a obra será lançada em dezembro pela editora Sextante, com tiragem inicial de 300 mil exemplares. Assim como Código da Vinci e Anjos e Demônios, os direitos da obra já foram comprados pela Sony Pictures e há grandes chances de que novamente seja dirigido por Ron Howard e estrelado por Tom Hanks. O enredo, com receio de surgirem obras parecidas, não foi divulgado pelo autor. Brown também é autor de Ponto de Impacto e Fortaleza Digital.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Travessuras da menina má


Título: Travesuras de la niña mala (Travessuras da menina má)
Ano: 2006
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: Alfaguara - Editora Objetiva
Tradução: Ari Roitman e Paulina Whacht
Personagens principais: Ricardo Somocurcio (Ricardinho; bom menino) e Otilia (Lily, a chilenita; a camarada Arlette; madame Robert Arnoux; Mrs. Richardson; Kuriko; madame Ricardo Somocurcio e menina má)

Essas semanas pude ler o famoso livro Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa. Uma amiga me emprestou com a seguinte observação: - No inicio é um pouco chato, mas depois fica ótimo. Todos aqui leram e gostaram. Diante de tal afirmação, me senti obrigada a ler as inacabáveis páginas monótonas até encontrar algo bom.

A trama tem início no Peru, em 1950 quando Ricardinho conhece as chilenitas e se apaixona por uma delas, Lily. Para ela é amizade, mas para ele é o início de uma paixão sem fim.

O destino separa os dois até Ricardo realizar o sonho de morar em Paris, trabalhando como tradutor. Lá, por destino, encontra a camarada Arlette que, nada mais, nada menos, era a chilenita. Após um encontro amoroso, a guerrilheira precisa ir a Cuba e os dois se seperam. O bom desse capítulo é justamente entender um pouco sobre as revoluções dos anos 60 e perceber que, assim como o Brasil, tantos outros países sofreram e mudaram com a revolução.

O trabalho de tradutor leva Ricardo à Inglaterra onde, novamente por destino, encontra o conterrâneo Juan, o retratista de cavalos. Por intermédio dele conhece madame Robert Arnoux, a esposa do membro da Unesco, sua chilenita. A chilenita transforma-se na senhora Arnoux para fugir de Cuba em segurança. Novamente a história de amor é breve até que a chilenita largue tudo para viver com Mrs. Richardson, um homem com mais dinheiro e poder que Robert Arnoux. Nesse contexto, o melhor é a história de Juan, do movimento hippie, da decadência ocorrida pelo uso de drogas e o surgimento da AIDS.

O ápice do livro ocorre no quarto encontro entre Ricardo e a chilenita, através de Salomon Toledano, o intérprete do Chateau Meguru. Ricardo e Salomon vivem uma breve amizade até que, a trabalho, Salomon vai ao Japão e lá se apaixona por uma japonesa que conhece a menina má. Sabendo dessa notícia, Ricardo vai ao Japão e encontra chilenita que vive com o sr. Fukuda, um marfioso sadomasoquista. Ricardo tem, nesse momento, a pior decepção de sua tímida vida.

Afastados mais uma vez, Ricardo e a chilenita se encontram em Paris, onde ela chega muito debilitada e frágil. Tudo começa com um telefonema da chilenita atendido por Yilal, o menino sem voz. Essa notícia faz Simon e Helena Gravoski, amigos e visinhos de Ricardo, se interessagem pela história de Ricardo e insentivarem ele a perdoar e reviver esse amor. Neste capítulo ocorre, para mim, a parte mais bonita do livro, onde realmente eu encontrei motivos para lê-lo. Isso já é a metade do livro. Neste capítulo é possível tomar afeição pela menina má e perdoar seus devaneios. A menina má finalmente se torna a madame Ricardo Somocurcio.

Numa viagem ao Peru para rever seu tio Ataúlfo, Ricardo conhece, através do seu primo Alberto, Arquimedes, o construtor de quebra-mares e logo percebe que está diante do próprio sogro. Neste momento descobre que o verdadeiro nome da chilenita é Otilita ou Otília. Descobre a infância difícil, a pobreza e acredita que sejam motivos sufientes para justiticar todas as travessuras da menina má.

O último e definivo encontro ocorre em Lavapiés, na Espanha, onde Ricardo vive com Marcela, uma artista que montava cenários para peças, 20 anos mais jovem que ele. Nesse tempo Ricardo já tinha 54 anos. A menina má, após sofrer um câncer generalizado procura Ricardo, declara seu amor e resolve viver com ele até os últimos dias de sua agitada vida.

Fica no ar uma dúvida: Por que a menina má causa tanto alvoroço em quem lê?
Talvez porque no fundo de nossas almas desejamos um amor puro e verdadeiros, desses que nos aceitam como somos, nos perdoam e vivem para nós. Outro motivo porque desejamos sair das nossas monótonas vidas sem perder o porto seguro. Talvez, principalmente talvez, porque todos vivemos envoltos, assim como a menina má, nos próprios personagens que criamos com a diferença que não temos forças para nos livrar deles e recomeçar.

Encontrei um blog que faz uma resenha interessante sobre o livro, admito, bem melhor que a minha. Que tal lê-la? http://alessandraalves.blogspot.com/2008/07/para-gostar-de-ler-travessuras-da.html
Eu tive a impressão, ao ler o livro, que existia sentimentos do próprio autor na história, mas não tinha associado a questões políticas. É um contexto bem interessante.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

A Caixa dos Segredos

Título:A Caixa dos Segredos
Autor:August Gold e Joel Fotinos
Editora: Ediouro

Essa semana terminei de ler A Caixa dos Segredos. O livro foi emprestado por minha mãe que o comprou pelo título, tive a quem puxar. A princípio não dei nada pelo livro, imaginei um daqueles textos me convencendo que eu deveria colocar o desejo numa caixa e ficar esperando acontecer, mas o livro surpreendeu tanto pelo conteúdo como pela forma de escrita.

Com uma linguagem simples e clássica, o livro conta a história de um homem que carregava uma maldição familiar de morrer jovem, por isso sempre vivia com medo de morrer ou perder as pessoas que amava. Quando criança, para passar seus medos, sempre recorria a um velho sótão que era seu guru. Na juventude conhece uma moça com quem casa e tem dois filhos. Em um momento de angústia, o homem encontra uma caixa com um segredo que, compartilhado, mudou a vida de muitas pessoas de uma cidade.

A essência do livro está em mostrar que com fé é possível alcançar os desejos mais íntimos. A diferença do livro está no fato de que tudo o que pedir terá que construir, Deus apenas dá os meios para que a própria pessoa realize seus sonhos. Qdo se deseja algo deve-se ter exata certeza do que deseja, pois uma vez pedido não pode ser mudado.

Outro ponto importante é a reconstrução, quando o autor fala que as perdas também são importantes para construir as vitórias. Na natureza sempre há perda. Uma árvore perde suas folhas para alimentar seu solo, perde seus frutos que alimentam pássaros e plantam novas sementes. Um animal deixa sua terra em busca de um lugar melhor. Embora o caminho seja difícil e perigoso, encara a perda como algo natural.

Assim devemos ser. Desejar exatamente o que queremos para nós e para os outros, sabendo que o outro também tem seus próprios desejos e não devemos desejar ao pŕoximo nada que não queiramos para nós. Devemos lembrar que nós construiremos aquilo que desejamos, então se desejamos felicidade, prosperidade e paz, contruiremos coisas boas, mas se desejamos guerra, doença ou mal a alguém teremos que conviver com coisas ruins. Deus está presente para nos ouvir, nos ensinar a pescar, basta dizermos exatamente os nossos sonhos e transformarmos perdas em vitórias.

Dedico este comentário a Carla, porque falei do livro a ela.

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

Crônicas do Cotidiano, Tempo de Delicadeza

Essa semana, ao fazer compras no mercado, levei para casa dois livros de crônicas, daqueles bem baratinhos que a gente coloca junto com o mercado e nem sente no bolso, L&PM Poket. Um deles é Crônicas do Cotidiano, de Martha Medeiros ou outro é Tempo de Delicadeza, de Affonso Romano de Sant´Anna. Sabem do meu apreço pelo que Martha escreve porque quando leio algo dela parece que fui eu quem escrevi, embora nem sempre concorde com tudo, o que a torna melhor ainda.

A primeira crônica é "Ponto G". Eu li e pensei: é Martha, já passei dessa fase. Então passei para a segunda, "Religião e Infidelidade", e pensei: Ai meu Deus, preciso rápido frequentar uma igreja. Acho que só vão entender se forem agorinha na net encontrar essas crônicas ou, melhor, comprar o livro.

Após Martha, ou junto com o dela, quero muito ler Tempo de Delicadeza porque o título e a apresentação me agradaram muito. Imaginem alguém que defende, em plena turbulência capitalista, que devemos ser cruelmente delicados. Pois este é o tema pricipal das crônicas do poeta Affonso Romano.

Para quem quer duas sugestões boas e baratas, é só ir ao mercado ou banca mais próxima, comprar por R$8,00 e vir aqui comentar o que achou do texto. Boa leitura.

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

VENDE-SE TUDO

Gostaria de agradecer a minha amiga Alcioni que me enviou esse texto. Martha Medeiros sempre surpreende com tanta sabedoria e sensibilidade.

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No mural do colégio da minha filha
encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
_ Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
_Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma .

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida. Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile .
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
Martha Medeiros

... e se só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir, é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ !

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Memória de Minhas Putas Tristes


Livro: Memória de Minhas Putas Tristes
Título original: Memoria de Mis Putas Tistes
Autor: Gabriel Garcia Márquez (colombiano, 1928).
Tradução: Eric Nepomuceno
Editora: Record
Edição: 2007


Rosinha, a pequena que sempre falo aqui, me emprestou Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Márquez. Eu nunca compraria ou leria algo com esse nome, mas li por alguns motivos: credibilidade de quem me emprestou, fama do livro e a frase na capa indicando que foi ganhador do prêmio nobel de literatura. Com tantos requisitos, impossível resistir.

Comecei a lê-lo sábado. Nas primeiras páginas do livro tive nojo do personagem. Achei-o insuportável, nojento, pedófilo, preguiçoso e desrespeitoso com a figura feminina. Desisti de lê-lo.

Domingo, um daqueles dias sem nada pra fazer, olhei novamente pro livro e disse:- vou tentar. Voltei a lê-lo. O sentimento de nojo foi se transformando em pena e despreso, depois vieram algumas qualidades e uma mudança no personagem que o fez melhor. Ao final do dia já tinha lido tudo sem ter certeza se gostei ou não.

O livro não tem muita história. É um conto de fadas da bela adormecida entre um ancião de 90 anos que nunca amou e uma garota de 14 anos de idade, almejante a prostituta. Rosa Cabarcas (dona do prostíbulo), Diamantina (fiel empregada), Ximena Ortiz (a noiva), Delgadina (a bela adormecida) são as principais putas tristes da história. Elas são o espelho do que uma mulher não pode ser.

Se gostei do livro? Só gostei porque é bem escrito. A linguagem é marcante e a tradução muito bem feita. Minha mente ficava viajando no texto durante o sono inicial e isso foi o melhor do livro, ele rendia mesmo quando eu não estava lendo.

Se recomendo? Claro! Por que não?
Quem quiser ver uma boa resenha do livro vá o blog http://danifenti.wordpress.com/2008/02/12/o-amor-de-gabriel/