
Ontem, passando o tempo no shopping Salvador, decidi buscar um livro que pudesse ler em pouco tempo, lá mesmo na livraria. Exposto na vitrine estava O Pequeno Príncipe; um livro singelo, de fácil leitura e boas imagens. Peguei-o pra reler e relembrar porque o consideram tão importante.
O Pequeno Príncipe é um menino que vive num pequeno planeta, desses que nós, adultos, damos número porque são pequenos demais para receber significância maior. Ele tem 03 vulcões que revira sempre e o ajuda a aquecer água ou cozinhar o alimento; pode ver o pôr-do-sol quantas vezes quiser, é só deslocar sua cadeira um pouco para trás; é amigo de uma rosa, bela e única.
Os personagem se conhecem quando o pequeno príncipe pede que o aviador desenhe um carneiro. Após várias tentativas, o aviador consegue fazer o desenho desejado pelo menino. A partir desse desenho, o menino conta sobre sua vida, seu planeta e todos os outros planetas que visitou. Cada planeta morava algum adulto de característica distinta e todos eles estavam presos ao seu princípio, a maioria deles voltado para si próprio: O rei sem súdito; o vaidoso sem plateia; o bêbado que não parava de beber por vergonha de ser um bêbado; o empresário que colecionava estrelas para si, mas não podia tocá-las; o acendedor de lampião que não conseguia raciocinar, apenas executar ordem; o geógrafo que escrevia sobre o mundo, mas não conhecia nada porque não saía da sua cadeira e, finalmente, a Terra.
O pequeno príncipe descobre o significado do amor na Terra, ao encontrar a raposa que o ensina o que é ser especial e único para alguém. Ele sente saudade da sua rosa e descobre porque a ama, apesar das suas imperfeições e volta para seu planeta de origem, deixando um laço de afeto e saudade em todos os lugares que passou.
Além do questionamento sobre o comportamento humano, o Pequeno Príncipe mostra o quanto o valor ao que é material nos deixa pequenos e pobres. Ele tinha em seu planeta 03 vulcões, uma linda rosa e vários pores-do-sol, mas se achou pobre ao ver que sua rosa não era a única no mundo e que seus vulcões eram pequenos em relação aos da Terra. Só ao descobrir a importância da unicidade do ser é que voltou a perceber-se rico.
Outra lição é deixada ao falar da sua rosa, dizendo que deveria tê-la julgado pelos gestos e não pelas palavras porque os gestos dela enchiam o planeta de perfume e a sua vida de alegria. As palavra o incomodavam e feriam, levando-o a ir embora do planeta.
Como vê, não é apenas um livro para crianças. Acho que uma criança pode lê-lo e relê-lo em cada fase da vida. Talvez se essa crítica fosse feita por uma criança nada disso estivesse aqui. Provavelmente ela nem associaria a algo filosófico, apenas amaria o Pequeno Príncipe e teria esperança de um dia ir ao deserto e, quem sabe conhecê-lo ou ver seu planeta lá no alto. Essa é a diferença entre um adulto e uma crianças: Os adultos vivem tão preocupados em criar regras e limites para tudo que esquece de contemplar o pôr-do-sol.
O Pequeno Príncipe, 1943, Antoine de Saint-Exupéry, jornalista e piloto francês.
Maiores detalhes e livro virtual com ilustração no site http://www.mayrink.g12.br/pp/principe.htm