Ler é algo maravilhoso, mas é difícil começar porque, diante de tantas opções, não sabemos qual escolher. Na maioria das vezes, nos deparamos com gostos diferentes do nosso e isso, de alguma forma, nos inibe de começar a ler.
Nas escolas nos indicam Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Mulato e alguns outros bons livro, mas que são chatos quando não pegamos o jeito de ler e abstrair o rebuscamento da época.
Por isso, decidimos criar este blog para indicar os livros que lemos, como os classificamos, fazer uma resenha, indicar sites para baixar livros, enfim, incentivar quem deseja iniciar uma boa leitura ou continuar nesse mundo de troca de informação tão brilhante.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída...

Essa semana, ao responder um meme no outro blog, Menino Rude, relembrei o livro "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída". O título deixa claro o tema principal que é o sofrimento de uma adolescente diante do vício da droga e de tudo o que ele pode causar a uma pessoa.

A história é verídica; o cenário é Berlin Oriental, às margens do muro de Berlin; a época é o pós-guerra, escrito em 1978 quando Christiane tinha 15 anos; a intenção foi mostrar ao mundo o caminho sem volta que um usuário de droga tende a seguir, muitas vezes curto e outras vezes tortuoso.

Li este livro aos 13 anos e não sei se as impressões que deixarei aqui são as verdadeiras. Falo com a memória de uma menina que hoje tem 32 anos.

Christiane vivia na Alemanha e, já na infância, gostava de ficar ao lado do muro brincando com seus amigos, pois era proibido, logo mais gostoso. Na adolescência é levada a uma discoteca administrada por um padre, lugar onde experimenta a maconha. O padre alegava que o uso de drogas era muito grande na Alemanha e que era melhor os jovens estarem ali, protegidos do que nas ruas. Uma mãe não desconfiaria de um padre e Christiane entrou no mundo das drogas.

Em pouco tempo a maconha já não fazia mais efeito em Christiane nem nos seus seus amigos e namorado. Eles queriam algo mais potente, a heroína. Começaram a inalar a droga e, para isso, tiveram que se prostituir. Inicialmente escolhiam os parceiros de acordo com a opção sexual, mas logo tiveram que aceitar todo tipo de acordo. Com a prostituição vieram as doenças sexualmente transmissíveis.

Conversando com amigos traficantes, foi aconselhada a não injetar droga na veia, mas Christiane não se contentou em apenas cheirar pois o efeito era pouco e a quantidade usada para "dar onda" era cada vez maior. Logo preparou sua primeira Picada, a heroína era colocada numa colher, adicionado limão e levado à chama de uma vela para derreter. A mistura era injetada na veia.

As veias dos braços dela e no namorado já não suportavam tantas picadas, chegando ao ponto de ter que injetar a droga na veia do pescoço. Christiane não conseguia comer direito, tudo lhe enjoava. Feridas, provenientes das doenças, tomavam seu corpo. As seringas eram compartilhadas sem nenhum critério e as DST se espalhavam entre os jovens. Nesse período uma de suas amigas morre de overdose (acho que o namorado também).

Na tentativa de ajudar a filha, a mãe de Christiane a leva para morar no interior com a tia, uma cidade calma, rural. Christiane se abstem um tempo, mas logo encontra um grupo de adolescentes e volta a fumar a maconha. Uma clareira, onde os adolescentes se reuniam para fumar. Lembro do livro até aí, acho que este é o final.

Confesso que chorei muito. Me vi em cada cena. Quis tirá-la daquele lugar. Me emocionei e tive a certeza que NUNCA usaria drogas e nunca deixaria nenhum amigo meu usar. Felizmente, no meio que vivi não tive a facilidade das drogas e nunca passei por essa provação. Hoje vejo jovens se entregando às drogas e nunca esqueço desse livro. Gostaria de vê-lo lido e debatido nas escolas para que os jovens tomassem horror aos vícios.

Todo vício começa com pouco: um vinho com coca-cola, um baseado, uma cervejinha, um cigarro. Se a mente está vazia, a droga entra e toma espaço. Se a droga se instala, mais um jovem se vai do mundo.

Considerações:

Melhores informações sobre o livro estão nos links abaixo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Christiane_F.
http://pt.shvoong.com/books/biography/1673460-christiane-f-13-anos-drogada/

A imagem é a capa do livro que li e que minha professora dizia que parecia comigo

Peço desculpas se a linguagem ou o conteúdo não estiverem como gostariam, como disse, são apenas as minhas lembranças.

"Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída...
KAI HERMANN HORST RIECK

A obra em questão originou-se do próprio interesse de Christiane F, em romper o silêncio e relatar seu depoimento aos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck sobre a questão dos tóxicos entre os adolescentes. O livro tem início com o texto do processo (Berlim, 1978) em que Christiane, colegial, menor de idade, é acusada de consumir, de maneira contínua, substâncias e misturas químicas proibidas por lei. Foi acusada também de ter-se entregado à prostituição, com o propósito de juntar dinheiro suficiente para comprar drogas. Após tudo isso, sua família se desestruturou; o pai ficou desempregado, a mãe pediu o divórcio, e o inferno instalou-se no seio da família. Christiane era surrada sempre e o lar, por ter-se transformado num ambiente hostil, fez com que ela procurasse as ruas. O livro intercala o depoimento de Christiane com o de sua mãe, de policiais que tiveram contato com a menina, e de psicólogos.

http://www.planetanews.com/produto/L/1002/eu--christiane-f---13-anos--drogada--prostituida----kai-hermann---horst-rieck.html
"

6 comentários:

Carla Beatriz disse...

Eu tinha 15 anos, em 1983, quando uma colega me emprestou esse livro para ler. Estava na metade do livro, quando meu pai descobriu que eu o estava lendo e pegou o livro para ver sobre o que era. No dia seguinte, ele o devolveu para mim, muito sério e me disse uma frase que nunca me esquecerei:

- Há duas maneiras de aprender a nadar: uma é na água limpa e a outra, na água suja. Vc escolhe em qual quer aprender.

Refleti um pouco sobre sua colocação e devolvi o livro à minha colega, sem terminar de lê-lo. Naquela ocasião, me pareceu mais correto seguir a orientação de meu pai.

Anos mais tarde, assisti ao filme, com outra maturidade, outros olhos.

Gabriely disse...

BOM O QUE TEBHO A FALAR SOBRE A HISTORIA CHISTIANE É QUE SINTO MUITO PELO ACONTECIDO COM ELA.
EU LI O LIVRO QUANDO TIHA 14 ANOS
HJ TENHO 16 PENSO PQ QUE AS PESSOAS SE ENTEGRAM A ISSO ASSIM MAS NÃO TEM COMO TIRAR UMA CONCLUSÃO DISSO PQ MUITAS COISAS HJ ME DIA LEVA UMA PESSOA A CHEGAR A ISSO.
AQUI ONDE EU MORO MSM TEM MUITOS GAROTO VIVENDO ISSO E SÃO PESSOAS QUE NÃO IMAGINA CHEGAR A ESSE PONTO.
TIVE UM NAMORADO QUE FUMA A GENTE TERMINOU VARIAS VEZES POR ISSO MAS AINDA TENHO PRA MIM QUE AINDA CONSIGO TIRA-LO DESSA HJ NÃO ESTAMOS MAIS JUNTOS MAS SEI QUE AINDA CONSIGO AJUDA-LO...
E QUANDO LI O LIVRO DE CHISTIANE EU ESTAVA COM ELE ASSIM QUE PENSEI
NA SITUAÇÃO QUE EU ESTAVA PRESENCIANDO E NÃO PODIA FAZER NADA AI EU DISSE NÃO EU VOU CONSEGUIR AJUDAR ELE E VEJO QUE QUALQUER UM PODE VIR A ENTRAR NESSA COISA NESSE MUNDO
EU MSM QUANDO ESTAVA COM ELE MSM LENDO O LIVRO DE TANTA RAIVA QUE EU ESTAVA EU QUERIA COMEÇAR A FUMAR PRA VER SE ELE VIA O QUE ESTAVA ACONTECENDO MAS ELE BRIGOU COMIGO DISSE QUE ELE ESTAVA NAQUELA E NÃO IA DEIXAR A PESSOA QUE ELE AMA ENTRAR NUMA DESSAS NUNCA E SE UM DIA ELE CHEGASSE A VER ELE ME XINGARIA MUITO.
BOM ISSO É UM POUCO DO QUE POSSO TRANSMITIR A VCS DO QUE EU ACHEI DA HISTORIA DELA ADOREI O LIVRO
É MUITO BOM MSM...

Geo disse...

Carla e Gabriely

Obrigada pelos depoimentos.
Pois é, parece que o susto que esse livro traz nos afasta das drogas. Muito triste, Gabriely, saber que alguém que te ama e que é amado por você não consegue sair dessa. Procura a família e o apoio profissional, pois ele não pode se entregar dessa forma. Sucesso nessa luta.

Abraço!

Anônimo disse...

Lí o livro e assisti o filme há três anos e o recomendo sem hesitar. Muitos jovens brasileiros nesta faixa etária deveriam ser estimulados a ter contato com esta obra que é num todo uma grande campanha anti-drogas e deveria ter lugar cativo nas bibliotecas de escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio.

Anônimo disse...

Ao 1o comentário:

Aprender a nadar na agua limpa seria ler o livro...e na agua suja seria entrar no mundo das drogas.

Você deveria ter continuado a ler o livro.

Geovana disse...

Anônimo,

Entendo o que quis dizer: Talvez o pai não tenha reprimido a Carla de ler, mas tenha tentado dizer exatamente o que você disse em sua frase. O que importa é que, mesmo sem terminar o livro, acho que chegar na metade já mostrou a ela o que poderia haver de ruim no mundo das drogas.

Abraço e da pŕoxima vez, identifique-se, se puder.