Ler é algo maravilhoso, mas é difícil começar porque, diante de tantas opções, não sabemos qual escolher. Na maioria das vezes, nos deparamos com gostos diferentes do nosso e isso, de alguma forma, nos inibe de começar a ler.
Nas escolas nos indicam Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Mulato e alguns outros bons livro, mas que são chatos quando não pegamos o jeito de ler e abstrair o rebuscamento da época.
Por isso, decidimos criar este blog para indicar os livros que lemos, como os classificamos, fazer uma resenha, indicar sites para baixar livros, enfim, incentivar quem deseja iniciar uma boa leitura ou continuar nesse mundo de troca de informação tão brilhante.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Adeus Saramago


Morreu hoje o escritor português José Saramago, um dos melhores escritores que pude ler até hoje.
A obra mais conhecida de Saramago é "Ensaio sobre a Cegueira", mas existem outros bons livros que nos fazem pensar sobre a vida, o mundo e a sociedade. José Saramago pode ter ido, mas felizmente suas obras estão aí eternamente.

Que sua alma siga em paz, com Deus.

Veja a notícia: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/06/morre-aos-87-o-escritor-jose-saramago.html

Livros Publicados:
Terra do pecado
Manual de pintura e caligrafia
Levantado do chão
Memorial do convento
O ano da morte de Ricardo Reis
A jangada de pedra
História do cerco de Lisboa
O Evangelho segundo Jesus Cristo
Ensaio sobre a cegueira
Todos os nomes
A caverna
O homem duplicado
Ensaio sobre a lucidez
As intermitências da morte
As pequenas memórias
A viagem do elefante
Caim

Foto: Sebastião Salgado

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Não Conte a Ninguém


Título: Não Conte a Ninguém
Autor: HARLAN COBEN
Editora: Sextante
Ano: 2001 (primeira edição)

Quem acompanha este blog deve ter percebido que livros de suspense policial não são meus favoritos, mas "Não Conte a Ninguém" me chamou a atenção pelo título, pela capa, pela descrição e pelas milhões de cópias vendidas. Confesso que achei, por causa da capa, que seria um livro no estilo "A Cabana", mas é totalmente diferente, é um suspense policial de tirar o fôlego.

O livro prende a atenção o tempo todo. A linguagem é direta e simples, porém não é cansativa. Os personagens e os cenários são descritos de forma clara e apenas para dar sentido à trama. Existem bons diálogos. Eu sou fã de livros com diálogo porque eles quebram o formalismo e nos faz interagir com os personagens. Tem assassinato, traficante, polícia corrupta, serial killer, traição e o que mais desejar do submundo do crime.

Não entendo muito de tramas policiais, mas achei o final forçado. É como aqueles filmes americanos bons o tempo todo, mas que peca no final porque tem que criar os heróis e salvar os mocinhos. Faltou pouco para o livro se tornar um clássico.

Descobri que tem um filme francês baseado no livro que ganhou vários prêmios e agora quero vê-lo.



Veja o resumo da Siciliano.

Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer.
O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa.
Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido?
Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência.
Não Conte a Ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.


Agora vou explicar o que achei forçado: Quem ainda vai ler o livro, termine a leitura por aqui.

Se David Beck matou Scob, como ele não teve curiosidade de acompanhar o caso? Por que ele nunca se preocupou em saber quem limpou a prova do crime? Ele não imaginou que sua mulher teria pedido ajuda ao pai para encobrir o crime? Como ele não viu que a mulher foi testemunha do caso em defesa do marginal acusado ilegalmente?

Para mim o livro fecharia melhor se o pai de Elizabeth ou a própria Elizabeth fosse o assassino, deixando o Dr. Beck com um outro segredo a ser descoberto em uma sequência de um próximo livro.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Guardião de Memórias


Título: The Memory Keeper´s Daughter (O Guardião de Memórias)
Autor: Edwards, Kim
Tradução: Vera Ribeiro
Editora: Sextante
Ano: 2007


Esse domingo não foi um dia ensolado. A chuva que caiu aos poucos e insistentemente me fez ler as 360 páginas de O Guardião de Memórias. Ainda não sei se foi realmente a chuva que me fez lê-lo ou se uma profunda incerteza sobre a vida e uma vontade de apertar o botão de pausa sobre ela.

Certa noite com muita neve, Norah entra em trabalho de parto e David, seu marido e ortopedista, se vê obrigado a fazer o parto por falta de outro médico especialista. Após o nascimento do primeiro filho, Paul, David percebe que a gravidez é de gêmeos e traz ao mundo uma menina, Phoebe. Ao perceber traços de síndrome de Down em Phebe e lembrar de sua própria vida ao lado da irmã, que também foi portadora da síndrome e morreu cedo, deixando a mãe desconsolada, David resolve poupar Norah e Paul do sofrimento e entrega a filha para a enfermeira levar a um abrigo para crianças retardadas. Quando Norah acorda, David não consegue contar a verdade e diz que a criança nasceu morta. Caroline, a enfermeira, não consegue deixar a menina no abrigo e, agindo pela emoção de poder ser mãe, resolve fugir com Phoebe, deixando toda a vida vazia para trás.

A falta da filha e o eterno segredo de David, fez a família se desestruturar e cair em um mar de sofrimentos. Bree, a irmã de Norah era o único laço de alegria que pairava pela casa. No outro núcleo, o amor incondicional de Caroline por Phoebe fez a vida dela florir, além de trazer para ela o grande amor, Al e grandes amigos unidos pela necessidade de apoio e pela síndrome de down.

Durante a leitura achei o livro melancólico. A vida de Norah, usando a morte da filha como desculpa para não ser feliz; a vida de David, envolvido em seus próprios medos, único sentimento que o trazia vivo e fotografando o que não existia para se sentir melhor; a beleza de Paul escondida na culpa pela infelicidade dos pais. Eu queria mesmo era ler rápido ou pular as páginas só para sentir a alegria emanada por Phoebe,Caroline e Al a cada nova descoberta sobre a vida.

Hoje, fazendo essa resenha, percebi que a melancolia de Norah, David e Paul trouxeram à tona meus próprios medos e minha solidão e por isso os personagens me incomodaram tanto. A capacidade de Caroline em dispor a própria vida pelo próximo, me fez desejar o mesmo, uma vida de verdade onde o mundo fizesse sentido. A inquietude de Bree diante da vida e a eterna alegria, muitas vezes mascarando a solidão, me fez lembrar de momentos onde eu sorri para o mundo e desejei apenas não estar ali, naquele momento. As inúmeras fotografias de David me fez perceber em quantas fotos eu sorri, registrando viagens que jamais precisaria ter feito para encontrar o real significado da vida, fotos que joguei fora sem o menor constrangimento,assim como fez Norah.

Talvez por isso o livro seja bom. Não exatamente pela capacidade literária da autora e tradutora, mas pelo poder de elevar o psicológico e trazer uma real reflexão sobre o que é importante na vida, mostrando que amar e ser amado faz a diferença e que fugir de um problema nunca irá resolvê-lo. Quem foge jamais descobrirá que o problema era apenas uma porta para um lugar melhor.

Se é bom pra ler? Claro, principalmente em um dia melancólico com um pouco de chuva.

Obs. Para os menos pacientes, acabei de descobrir que existe o filme sobre o livro.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Cidade do Sol

Título: A Cidade do Sol
Autor: Hosseini, Khaled
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2007

Hoje, ao terminar de ler A Cidade do Sol, de Hossini Khaled, tive a impressão de viver no paraíso. O romance conta a história de duas mulheres, nascidas em décadas diferentes, mas com os mesmos problemas: a guerra, a falta de respeito com as mulheres e as dores das perdas.

Na primeria parte do livro, é narrada a história de Mariam, filha bastarda de um rico homem, condenada à vida dura e à solidão simplesmente por ser bastarda. Após a morte da mãe, Mariam é dada para casamento a um homem bem mas velho, Rashid. Usando a desculpa de que Mariam não conseguia dar um filho homem, Rashid espanca Mariam por qualquer motivo. Mariam e Rashid vivem sob a tensão da guerra Afegã.

A segunda parte do livro conta a história de Laila, uma menina doce, criada por pais que se amam e que a ama. Filha de professor, a menina frequenta a escola, estuda e tem a certeza que escolherá o próprio marido. O pai de Laila diz que ela deve estudar pois, quando for adulta poderá ajudar o Afeganistão e se recuperar. Laila tem dois irmãos que não conhece porque estão na guerra e um amigo, Tariq, pelo qual ela se apaixona na adolescência.

Mariam e Laila vivem na mesma rua, mas não se conhecem até que o destino as une. Cabul está constantemente bombardeada, muitos civis morrendo, partes de corpos sendo arremessadas ao longe. Tariq resolve ir embora com os pais e chama Laila, a pede em casamento, mas Laila não quer deixar os pais. A mãe de Laila não quer ir embora pra não deixar o país pelo qual os filhos se sacrificaram, ela ainda espera ver o Afeganistão em paz. No dia que Laila e os pais resolvem partir, um missil atinge a casa e apenas Laila sobrevive. Rashid e Mariam a socorrem e dão abrigo.

O que parece ser uma boa ação, na verdade é um plano de Rashid para ter mais uma esposa. Enquanto Laila ainda está doente e atordoada, um homem vai à casa de Mariam e dá a notícia que Tariq e sua família estão mortos. Laila se vê sozinha e grávida, então aceita o pedido de casamento de Rashid.

Os mal tratos de Rashid une Mariam e Laila, permitindo que elas sobrevivam a pancadas, guerras, fome, seca, falta de hospitais e de medicamentos. Laila tem dois filhos, Aziza e Zilman. No pior momento Afegão, quando a seca ataca, Aziza é dada para um orfanato. Mulheres não podiam andar sozinhas nas ruas ou seriam espancadas por soldados, mesmo assim Laila enfrentava a dor para ver a filha.

Quando tudo parece perdido e insuportável, Tariq volta para buscar Laila. Quando Rashid o vê, tenta matar Laila com as mãos, mas Mariam o mata com um golpe de pá. Sabendo que será perseguida pelo crime, Mariam se entrega para a morte e pede para Laila pegar os filhos e ir embora com Tariq. Apesar de não concordar, Laila aceita os argumentos de Mariam que paga pelo seu crime.

Laila vive feliz com Tariq e os filhos em um hotel no Paquistão, mas o sonho de reconstruir Cabul após a invasão da ONU no governo Bush, os levam de volta. Laila resolve visitar a primeira casa de Mariam e o amigo que ela tanto falava. Lá recebe um caixa contendo uma carta e uma herança deixada pelo pai de Mariam. O dinheiro, convertido em dóllar pelo próprio pai de Mariam, permite a Laila e Tariq reformar o orfanato que abrigou Aziza. Cabul se recupera os poucos. Ávores são plantadas, casas pintadas e reconstruídas, ecolas abertas. Tudo parece voltar ao normal.

Eu terminei o livro achando que algo de ruim ainda aconteceria com Laila e Tariq. É tanto sofrimento que fica difícil acreditar na felicidade. Mas Laila cumpre sua missão, ser últil a Cabul quando a guerra acabar. Além da vida e sofrimento do povo Afegão, o livro descreve quatro décadas de história afegã e termina no período posterior à queda das torres gêmeas, a invasão americana com a ONU e a busca pelos terroristas. Ao terminar a leitura me senti parte daquele lugar, feliz com o plantio de flores em capas de mísseis e com a nova vida de Laila, Tariq e família.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Conversando com Deus


Título: Conversando Com Deus
Autor: Neale Donald Walsch
Editora: Agir
Ano: 2008

Conversar com Deus é para mim algo natural e muito bom. Não falo de orar, mas de conversar mesmo, receber respostas, seja com pensamentos, textos ou exemplos. Por isso, quando vi o livro com esse título achei algo totalmente possível e resolvi lê-lo.

Antes de ler o livro vi o filme, se fosse uma história real, seria bem interessante. Até achei que fosse, o que me incentivou mais ainda a buscar o livro. O livro não fala nada sobre as cenas do filme. O autor pergunta sempre sobre a família, ou seja, não parece ser um homem abandonado como no filme.

O autor fala verdades bíblicas, embora trate Jesus apenas como mais um mestre, não o filho de Deus, e a bíblia como um livro ultrapassado. Deixa a ideia de que o livro Conversando com Deus é a nova bíblia. Achei uma obra pretenciosa e perigosa, embora tenha muita verdade nas suas linhas, até porque ele reescreveu teorias já existentes na bíblia, principalmente no Novo Testamento. Neale também usou de teorias espíritas e filosóficas para compor seu livro.

Parece que Neale Donald Walsch conseguiu fazer 04 livros, sendo que no primeiro ele diz que seriam 03. Pois é, acho que Deus resolveu conversar um pouco mais. Só li o primeiro volume e não compraria os outros 03, mas se vier gratuitamente para minha mão, tento ler ao menos mais um.

O conteúdo é bom, quem sou eu pra dizer que não. Muito do que tem lá eu também ouvi e descobri em minhas conversas com Deus, mas justamente por conta do que vi, ouvi, senti e aprendi é que eu não faria um livro em nome de Deus. Posso até escrever o que senti e aprendi com Ele, mas usar diálogos, jamais! Uma pessoa em desespero ou com pouco conhecimento religioso e filosófico pode levar o livro ao pé-da-letra e fazer interpretações perigosas a respeito do que está escrito.

Fora os exageros do livro, o conteúdo, se bem interpretado, é bom e verdadeiro. Qualquer um de nós pode conversar com Deus e fazer as descobertas sobre a própria vida. Deus é um Pai, amigo que está ao nosso lado. Jesus é o homem que nos guia no verdadeiro amor, nos mostra a melhor maneira de encontrar a paz e a felicidade. Deus nos deu o livre arbítrio e, por isso, só pode nos amar e nos proteger dos nosso próprios atos. Se pedirmos a Deus com fé, acreditando que o pedido já foi acatado, o universo se movimenta para que o milagre se realize. Claro que, quando descobrimos a fé, também descobrimos que dinheiro e sucesso são consequências e não objetivos e também que não podemos desejar nada que vá de encontro com a felicidade do próximo.

Existe um Deus dentro de cada um de nós, um Deus amigo que podemos ouvir, meditar e agir de forma positiva para o mundo. Existem mestres, Jesus o maior de todos, que nos mostra verdades sobre a beleza da vida e do amor. Quem se dispõe a buscar Deus, buscar o amor de Jesus, encontrará o caminho da verdade, da paz e do amor. Lembre-se sempre: Deus é nosso maior amigo!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Quem Me Roubou de Mim?


Título: Quem me roubou de mim?
Autor: Fábio de Melo
Editora: Canção Nova
Ano: 2008

Quem já se sentiu perdido de si mesmo? Quem já se olhou no espelho e disse: "Esse não sou eu", "Esse relacionamento me tirou do sério", "Não me reconheço mais" dentre tantas frases que podemos citar. O livro "Quem Me Roubou de Mim" fala justamente do sequestro do subconsciente.

Para explicar o sequestro do subconsciente, o autor faz uma abordagem inicial sobre o sequestro do corpo, a vida no cativeiro, a relação entre sequestrador, sequestrado e a família. Após essa introdução, Fábio explica o sequestro do subconsciente.

Para contextualizar ele se vale de histórias ouvidas como sacerdote, intuição, experiência pessoal e teorias filosófica e teológica. Tudo isso junto dá ao livro uma percepção maior que um simples livro de auto-ajuda.

Ao longo de nossas vidas podemos sequestrar ou ser sequestrados. Podemos imaginar um relacionamento que não existe, uma pessoa que não existe, criar um personagem e ter que vivê-lo até sair do cativeiro. Podemos deixar de viver por medo, viver preso no vício e tantas outras formas de cativeiro.

Fábio deixa claro que podemos e devemos ser livres, devemos nos livrar dos cativeiros das nossas vidas. Uma passagem interessante é quando ele diz que não existe amor ideal porque o ideal está pronto e o ser humano está sempre se modificando. O que existe é a pessoa certa e para encontrá-la é preciso conhecê-la. Por isso ele acredita que paixão à primeira vista corre o risco de ser um desastre. A graça do amor é justamente aceitar o outro com os defeitos, buscar melhorá-lo sem retirar-lhe a essência.

A parte mais bonita do livro é saber que podemos tirar pessoas do cativeiro, trazê-la para a realidade, torná-la livre e feliz. Ele cita a passagem bíblica onde a mulher, no momento de ser apedrejada é salva por Jesus, apenas com palavras ditas no momento certo. Ele explica o quanto aquela mulher estava presa em seu cativeiro de prostituição e Jesus a salvou quando acreditou que ela poderia ser melhor e que não merecia a morte pelas mãos dos que a fizeram pecar.

Para finalizar ele deixa um conjunto de resposta que até hoje penso e não consigo responder. Buscar as respostas é fator essencial para concluir o livro, pois este só está definitivamente lido quando a mensagem for absorvida pelo leitor.

Em breve falarei das minhas descobertas a partir do livro, mas isso já é outra publicação.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Carta entre Amigos


Título: Carta entre Amigos.
Autor: Fábio de Melo e Gabriel Chalita
Editora: Ediouro
Ano: 2009

Muito difícil conceituar o livro Cartas entre Amigos. Parece ser de auto-ajuda, mas não é. Talvez de filosofia, mas também não é. Também não é um sermão religioso como muitos esperam. Nem pode-se dizer que é um livro, mas um conjunto de cartas trocadas entre dois amigos que decidem parar um pouco as atribulações da vida para dar atenção um ao outro. Na capa diz que é um livro para falar dos medos contemporâneos, eu não o definiria assim. A linguagem não é muito simples, é preciso atenção para lê-lo e, para os mais curiosos, ter um site de pesquisa ao lado é bom.

O encantamento do livro é justamente a não intenção de dar lição de moral. Os autores simplesmente falam o que sentem e usam a filosofia e a poesia para descrever seus pensamentos. Falam muito do amor. Aquele que surge de pedras, que supera perdas, que se doa ao próximo, o amor de Cristo. Fala do amor fast-food que vivemos hoje no mundo industrial e lembram que o amor é feito em fogo a lenha, onde temos que constantemente buscar o combustível desse amor.

Vários sentimentos são citados em carta, sempre interligando um ao outro, sempre trazendo o amor como parte da solução. É difícil descrever todos os temas abordados, eles se misturam, vão e voltam e se completam. Muitas vezes o que Gabriel escrevia parecia ter vindo de mim, é ele quem quase sempre traz a dúvida e Fábio a serenidade. Gabriel é a chama, Fábio a razão que controla a emoção. Os dois se completam em cartas emocionadas e cheias de poesia.

Algumas passagens foram marcantes para mim:
- A história de Cora Coralina que, apesar da vida cheia de problemas, transformou tudo em amor e poesia.
- A citação de Gabreil sobre a paixão onde, por insistirmos em uma flor, deixamos de ver e cuidar de outras flores em nosso jardim.
- A busca pela liberdade, o mal que fazemos em prender o amor por medo de perdê-lo.
- O vazio do mundo que levam os jovens à drogas e qual o papel dos pais nesse contexto.
- A limpeza dos nosso museu interior para que a próxima pessoa a entrar nele encontre o passado limpo e organizado, seja ele bom ou ruim.
- A passagem do mar vermelho, mostrando que a fé para existir precisa que o homem acredite e dê o primeiro passo.
- A força que se mostra na fragilidade de Madre Tereza.

São tantos assuntos, muitos sem resposta. Na verdade, não é a intenção dar respostas e isso é bom. Confesso que chorei na última carta quando o Pe. Fábio fala da força que vem da fragilidade. Chorei porque percebi que é nos meus momentos mais frágeis que ganho força para mudar minha vida. É na fragilidade do próximo que ganho forças para ajudá-lo. Percebi que não sou fraca, apenas frágil e que isso não é defeito, é um jeito de ser. Pensei na minha fé e vi que preciso entrar no mar para que Deus possa abri-lo. Chorei, pedi perdão e desejei lavar os pés de Cristo com minhas lágrimas.

O livro sozinho não traria tantos sentimentos, ele o fez porque resolvi lê-lo num momento difícil e importante de minha vida. Talvez, dentre tantos assuntos, algum tenha importância na sua vida nesse momento. Cada carta traz à tona um fantasma a ser vencido. Cada palavra uma reflexão sobre a vida. Terminei o livro desejando um amigo para escrever-lhe cartas sobre a vida. Terminei o livro certa de que posso ser mais do que sou, mas que já sou mais do que imagino. Tive a certeza que posso lê-lo novamente, em outros momentos, e encontrar outros confortos.